Maria e Joana - Ensinamentos Espirituais.

Atualizado: 14 de Dez de 2020


Maria e Joana eram duas belas negras que nasceram em um período em que os negros eram tratados como objetos de comercialização e ferramentas de trabalho.

Ambas tinham uma vida parecida, no entanto, carregavam personalidades completamente diferentes, enquanto Maria demonstrava humildade e aceitação diante das dificuldades, Joana revelava revolta e incompreensão, passava os dias reclamando da má sorte, das obrigações impostas.

Certo dia sinhazinha Helena chegava a fazenda para visitar os pais, antes de entrar na casa, como de costume, retirou os sapatos acomodando-os ao lado da porta, Joana que observava a sinhazinha de longe, logo percebeu o belo par de sapatos, com os pés calosos e doloridos, sentindo-se injustiçada por nunca ter tido um par de calçados resolveu se apossar dos sapatos.

A escrava conhecia a reputação de Helena, sabia que a sinhazinha era uma moça generosa que defendia os escravos, dessa maneira sentiu-se segura, pois acreditava que jamais seria punida.

Sorrateiramente pegou os sapatos, escondeu-se em um canto da casa e tentou calça-los, após alguns minutos de insistência, percebeu que os pés de Helena eram menores, inconformada com a má sorte, forçou até conseguir enfiar os pés nos sapatos. Satisfeita com a breve conquista, saiu caminhando com dificuldade e seguiu para o trabalho na roça.

Helena, quando deu por falta dos sapatos, pensou que alguma escrava havia guardado e esqueceu o assunto.

Na roça Joana desfilava faceira, mas a alegria durou pouco, não demorou para que os sapatos apertados começassem a formar bolhas e dolorosas feridas, apesar do intenso incômodo, a escrava insistiu e permaneceu com os calçados.

Passaram-se alguns dias, e os sapatos rasgaram-se nas pontas dos dedos, e Joana mais uma vez reclamou da má sorte e resolveu devolve-los, experta como era, foi devagarinho até a porta, quando deixava o sapato no chão, ouviu a voz da sinhazinha:

— Você achou meus sapatos?

Joana empalideceu e paralisou sem resposta.

Helena olhou para os sapatos destruídos e rapidamente concluiu que a negra havia se apossado dos calçados, irritada com a atitude, Helena reclamou:

— Joana! Você usou meus sapatos até estraga-los?

Joana se defendeu

— Sinhá, meus pés estavam machucados, doíam muito, eu queria um sapato! Conheço a sinhá, sei que vai me perdoar!

— Eu te perdoo sim! Mas meu pai não! Ele vai te mandar para o tronco! Pois vou contar tudo para ele!

Joana estremeceu, sabia que sinhô não perdoava, em prantos iniciou rogativas de perdão

— Por favor sinhá, não conta não! Vou pro tronco!

Helena jamais contaria ao pai, desejava dar uma lição na moça para que essa não repetisse o mesmo erro e no futuro acabasse sendo pega e castigada.

Escondendo a piedade determinou:

— Não contarei ao meu pai, mas coloque esses sapatos nos pés e não os tire mais! Já que quis tanto, a ponto de rouba-los agora vai usar até para dormir!

— Mas sinhazinha...

— Sem mas! Se eu te vir sem eles contarei tudo para o sinhô!

Joana tentou argumentar

— Mas sinhá! Eles machucam muito!

— Vá embora Joana! Não quero saber!

A escrava, temendo o tronco cumpriu as ordens, usava os sapatos até para dormir, depois de alguns dias as dores tornaram-se insuportáveis, apelando para o bom coração da sinhazinha implorou:

— Sinhazinha, vim pedir pra senhora me perdoar! Nunca mais vou pegar nada de ninguém! Mas agora me deixe tirar esses sapatos, já não consigo mais andar!

Helena compreendendo que Joana havia aprendido a lição consentiu que tirasse os sapatos

— Joana, que isso lhe sirva de lição, pois poderia ter ido para tronco! Agora me de esses sapatos que vou joga-los fora! Volte para seu trabalho!

Joana retornou saiu aliviada.

Helena tentava se livrar dos sapatos quando foi surpreendida por Maria, que olhando o par de calçado falou:

— Mas que lindos sapatos sinhá! Por que vai jogar no lixo?

— Ora Maria! Estão estragados, não vê que as pontas estão abertas?

— Mas que pena sinhazinha! São tão lindos, já que a senhora não quer mais, será que não pode dar pra ieu?

— Mas o que pretende fazer?

— Vou arrumar eles pra ieu usar na lida!

Compadecendo-se da escrava, Helena deu-lhe os sapatos.

Maria agarrou os sapatos como se fossem um lindo presente, contente apressou-se para calçá-los, após algumas tentativas percebeu que apertavam os pés, a escrava olhou, avaliou e logo teve a ideia, aproveitando a ponta aberta e rasgada decidiu adapta-los e transformá-los em sandálias, com os dedos para fora ela não sentia o aperto.

Após cuidadosa adaptação ela os lavou, e começou a usa-los nos trabalhos, com muita alegria fazia uso do presente.

Helena, notando a humildade, dedicação e capricho da escrava, comoveu-se profundamente e tratou de dar-lhe um par de sapatos novos, daquela dia em diante Maria nunca mais andou descalço, pois sinhazinha fazia questão de sempre presenteá-la com calçados novos.

Joana, que acompanhou todos os acontecimentos, viu-se obrigada a receber a lição calada, assistia Maria ganhar sapatos novos e arrependia-se da atitude impensada e imatura.


Moral da história.

* Não se apossem daquilo que não lhes pertence.

* A gratidão anda de mãos dadas com a humildade, portanto, sempre agradeça por tudo, valorize o que tem.

*Aceitação trás paz e tranquilidade, aceitar as dificuldades da existência é sinal de maturidade espiritual.

*Adaptar-se as dificuldades faz parte da vida, isso enobrece o espirito.

*Reflitam sobre seus desejos, muitos encarnados desejam coisas, pessoas ou situações que não cabem em suas vidas, não condizem com as provas que necessitam experimentar.

*Teimar para ter aquilo que não lhes pertence, é escolher o sofrimento, antes de pedir mais e e mais, agradeçam ao que já conquistaram.

*Antes de pedir se perguntem se existe necessidade e merecimento.

* Quando as provas da vida forem difíceis, agradeçam, pois todos recebem aquilo que merecem, todos são iguais e estão sobre a tutela de um Deus justo, que dá aquilo que cada filho precisa. Não existe erro na providencia divina, existe apenas amor, bondade e justiça.


Ensinamento: Preto Velho Severino de Aruanda

Texto: Lilian Campos.




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